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segunda-feira, 12 de maio de 2008

Acalanto Para Helena

Dorme minha pequena

Não vale a pena despertar

Eu vou sair

Por aí afora

Atrás da aurora

Mais serena


Ney Matogrosso, "Um Brasileiro"
Composição: Chico Buarque/1971

domingo, 11 de maio de 2008

Amizade

"Grande parte da vitalidade de uma amizade reside no respeito pelas diferenças, não apenas em desfrutar das semelhanças.”

James Fredericks

sábado, 10 de maio de 2008

Confesso



Confesso acordei achando tudo indiferente

Verdade acabei sentindo cada dia igual

Quem sabe isso passa sendo eu tão inconstante

Quem sabe o amor tenha chegado ao final

Não vou dizer que tudo é banalidade

Ainda há surpresas mas eu sempre quero mais

É mesmo exagero ou vaidade

Eu não te dou sossego, eu não me deixo em paz

Não vou pedir a porta aberta é como olhar pra trás

Não vou mentir nem tudo que falei eu sou capaz

Não vou roubar teu tempo eu já roubei demais

Tanta coisa foi acumulando em nossa vida

Eu fui sentindo falta de um vão pra me esconder

Aos poucos fui ficando mesmo sem saída

Perder o vazio é empobrecer

Não vou querer ser o dono da verdade

Também tenho saudade mas já são quatro e tal

Talvez eu passe um tempo longe da cidade

Quem sabe eu volte cedo ou não volte mais


Ana Carolina
Composição: Ana Carolina e Totonho Villeroy

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Principezinho

"(...)
- Olá, bom dia! disse a raposa.
- Olá, bom dia! - Respondeu delicadamente o principezinho...
-Anda brincar comigo - pediu o princepezinho. Estou tão triste...
- Não posso ir brincar contigo - disse a raposa. - Ainda ninguém me cativou...
Andas á procura de galinhas?
- Não... Ando á procura de amigos. O que é que "cativar" quer dizer?
- ... Quer dizer que se está ligado a alguém, que se criaram laços com alguém.
- Laços?
- Sim, laços - disse a raposa. - ...
Eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo e eu serei para ti, única no mundo...
Tenho uma vida terrivelmente monótona...
Mas se tu me cativares, a minha vida fica cheia se Sol.
Estás a ver, ali adiante, aqueles campos de trigo? ... não me fazem lembrar de nada. É uma triste coisa! Mas os teus cabelos são da cor do ouro. Então quando eu estiver cativada por ti, vai ser maravilhoso! Como o trigo é dourado, há-de fazer-me lembrar de ti...
- Só conhecemos as coisas que cativamos - disse a raposa. - Os homens, agora já não tem tempo para conhecer nada. Compram as coisas feitas nos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens já não tem amigos. Se queres um amigo, cativa-me!
- E o que é preciso fazer? - Perguntou o principezinho.
- É preciso ter muita paciência. Primeiro, sentas-te um bocadinho afastado de mim, assim em cima da relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não dizes nada . A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas todos os dias te podes sentar mais perto...
Se vieres sempre às quatro horas, às três já eu começo a ser feliz..."

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Romeu e Julieta


«Que é Montecchio?

Não será mão, nem pé, nem braço ou rosto, nem parte alguma que pertença ao corpo.

Sê outro nome. Que há num simples nome?

O que chamamos rosa, sob uma outra designação teria igual perfume. Assim Romeu, se não tivesse o nome de Romeu, conservara a tão preciosa perfeição que dele é sem esse título.

Romeu, risca teu nome, e, em troca dele, que não é parte alguma de ti mesmo, fica comigo inteira. »

(Julieta, Acto II, Cena II)

quarta-feira, 7 de maio de 2008

As Mulheres de Atenas

“As Mulheres de Atenas” é uma peça que o dramaturgo brasileiro Augusto Boal construiu tomando como ponto de partida duas comédias de Aristófanes: “Lisístrata” e “Assembleia de Mulheres”.

A primeira parte, baseada em “Lisístrata”, retrata a greve de sexo feita pelas mulheres para obrigarem os homens a acabar com a guerra. A segunda parte, baseada em “Assembleia de Mulheres” fala-nos sobre a ocupação do poder político por parte das mulheres. Tudo se passa numa fictícia Atenas, sem nenhum realismo.

Augusto Boal dedicou “As mulheres de Atenas” a todos os movimentos de libertação feminina e a todas as feministas que o ajudaram a escrever esta peça, quer através dos seus livros, das suas pesquisas ou através dos seus exemplos de vida.


Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas


Vivem pros seu maridos, orgulho e raça de Atenas

Quando amadas, se perfumam

Se banham com leite, se arrumam

Suas melenas

Quando fustigadas não choram

Se ajoelham, pedem, imploram

Mais duras penas

Cadenas


Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas

Sofrem pros seus maridos, poder e força de Atenas

Quando eles embarcam, soldados

Elas tecem longos bordados

Mil quarentenas

E quando eles voltam sedentos

Querem arrancar violentos

Carícias plenas

Obscenas


Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas

Despem-se pros maridos, bravos guerreiros de Atenas

Quando eles se entopem de vinho

Costumam buscar o carinho

De outras falenas

Mas no fim da noite, aos pedaços

Quase sempre voltam pros braços

De suas pequenas

Helenas


Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas

Geram pros seus maridos, os novos filhos de Atenas

Elas não têm gosto ou vontade

Nem defeito nem qualidade

Têm medo apenas

Não têm sonhos, só têm presságios

O seu homem, mares, naufrágios

Lindas sirenas

Morenas


Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas

Temem por seus maridos, heróis e amantes de Atenas

As jovens viúvas marcadas

E as gestantes abandonadas

Não fazem cenas

Vestem-se de negro, se encolhem

Se conformam e se recolhem

Às suas novenas

Serenas


Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas

Secam por seus maridos, orgulho e raça de Atenas


Chico Buarque - Augusto Boal, 1976

Eu queria ser civilizado como os animais...



Eu queria poder afagar uma fera terrível

Eu queria poder transformar tanta coisa impossível

Eu queria dizer tanta coisa

Que pudesse fazer eu ficar bem comigo

Eu queria poder abraçar meu maior inimigo


Eu queria não ver tantas nuvens escuras nos ares

Navegar sem achar tantas manchas de óleo nos mares

E as baleias desaparecendo

Por falta de escrúpulos comercias


Eu queria ser civilizado como os animais


Eu queria não ver todo o verde da terra morrendo

E das águas dos rios os peixes desaparecendo

Eu queria gritar que esse tal de ouro negro

Não passa de um negro veneno

E sabemos que por tudo isso vivemos bem menos


Eu não posso aceitar certas coisas que eu não entendo

O comércio das armas de guerra da morte vivendo

Eu queria falar de alegria

Ao invés de tristeza mas não sou capaz


Eu queria ser civilizado como os animais


Não sou contra o progresso

Mas apelo pro bom senso

Um erro não conserta o outro
.
Isso é o que eu penso.


Progresso

Roberto Carlos

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Andava a Lua nos Céus


Andava a lua nos céus
Com o seu bando de estrelas
Na minha alcova
Ardiam velas
Em candelabros de bronze
Pelo chão em desalinho
Os veludos pareciam
Ondas de sangue e ondas de vinho


Ele, olhava-me cismando;
E eu,
Plácidamente, fumava,
Vendo a lua branca e nua
Que pelos céus caminhava.
Aproximou-se; e em delírio
Procurou avidamente
E avidamente beijou
A minha boca de cravo
Que a beijar se recusou.

Arrastou-me para ele,
E encostado ao meu hombro
Falou-me de um pagem loiro
Que morrera de saudade
À beira-mar, a cantar...
Olhei o céu!
Agora, a lua, fugia,
Entre nuvens que tornavam
A linda noite sombria.

Deram-se as bocas num beijo,
Um beijo nervoso e lento...
O homem cede ao desejo
Como a nuvem cede ao vento
Vinha longe a madrugada.

Por fim,
Largando esse corpo
Que adormecera cansado
E que eu beijara, loucamente,
Sem sentir,
Bebia vinho, perdidamente
Bebia vinha..., até cair.

António Botto
Aves de Um Parque Real
As Canções de António Botto

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Soneto



Soneto

Se, para possuir o que me é dado,
Tudo perdi e eu próprio andei perdido,
Se, para ver o que hoje é realizado,
Cheguei a ser negado e combatido.

Se, para estar agora apaixonado,
Foi necessário andar desiludido,
Alegra-me sentir que fui odiado
Na certeza imortal de ter vencido!

Porque, depois de tantas cicatrizes,
Só se encontra sabor apetecido
Àquilo que nos fez ser infelizes!

E assim cheguei à luz de um pensamento
De que afinal um roseiral florido
Vive de um triste e oculto movimento

António Botto
Aves de Um Parque Real
As Canções de António Botto

domingo, 27 de abril de 2008

De Todas as Maneiras


De todas as maneiras que há de amar
Nós já nos amamos
Com todas as palavras feitas pra sangrar
Já nos cortamos
Agora já passa da hora, tá lindo lá fora
Larga a minha mão, solta as unhas do meu coração
Que ele está apressado
E desanda a bater desvairado
Quando entra o verão.


De todas as maneiras que há de amar
Já nos machucamos
Com todas as palavras feitas pra humilhar
Nos afagamos
Agora já passa da hora, tá lindo lá fora
Larga a minha mão, solta as unhas do meu coração
Que ele está apressado
E desanda a bater desvairado
Quando entra o verão.


Maria Bethânia

sábado, 26 de abril de 2008

A vida ao contrário



Estive a pensar e quero viver a minha próxima vida ao contrário:

Começo morta e livro-me disso. Depois acordo num lar para a terceira idade, sentindo-me melhor cada dia que passa.

A seguir sou expulsa, por estar demasiadamente saudável. Gozo a minha reforma e recebo a minha pensão de velhice.

Então, quando começo a trabalhar, recebo um relógio em ouro como presente logo no primeiro dia. Trabalho 40 anos, até ser demasiadamente nova para trabalhar. Vou para o liceu e bebo álcool, vou a festas e sou promíscua.


Depois vou para a escola primária, brinco e não tenho responsabilidades.

Transformo-me então num bebé e passo os últimos 9 meses a flutuar pacifica e luxuosamente, em condições equivalentes a um spa, com ar condicionado, serviço de quartos entregue por cabo até que, acabo num grande orgasmo…

P.S. Parabéns Albarod

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Há professores e há educadores

Recebi este "encanto" e tinha que partilhá-lo...

Numa Escola, um grupo de miúdas de 12 anos andava a pôr batom nos lábios, todos os dias, e para remover o excesso beijavam o espelho da casa de banho. O director andava bastante preocupado, porque o funcionário da limpeza tinha um trabalho enorme para limpar o espelho ao fim do dia e no dia seguinte lá estavam outra vez as marcas de batom.

Um dia juntou as miúdas e o funcionário na casa de banho e explicou que era muito complicado limpar o espelho com todas aquelas marcas que elas faziam e, para demonstrar a dificuldade, pediu ao empregado para mostrar como é que ele fazia para limpar o espelho. O empregado pegou numa esfregona, molhou-a na sanita e passou-a repetidamente no espelho até as marcas desaparecerem.
Nunca mais houve marcas no espelho.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Jura Secreta - por alguns laços

Só uma coisa me entristece
O beijo de amor que não roubei
A jura secreta que não fiz
A briga de amor que não causei
Nada do que posso me alucina
Tanto quanto o que não fiz
Nada do que eu quero me suprime
De que por não saber ainda não quis
Só uma palavra me devora
Aquela que meu coração não diz
Só o que me cega, o que me faz infeliz
É o brilho do olhar que não sofri

Simone



quarta-feira, 16 de abril de 2008

Nota dez...


Em dia de confronto entre as principais cores do nosso país, não posso deixar de partilhar a mensagem que me enviaram...

O Prof. Marcelo Rebelo de Sousa pediu ao Mantorras para dar uma nota, numa escala de 1 a 10, ao Benfica.
Mantorras 'dispara':
- Nota dez, professor.
- Dez?!?
- Sim... Dézorganizado, Dézmotivado, Dézestabilidado, Dézactualizado, Dézqualificado, Dézanimado, Dézmoralizado, Dézordenado, Dézactivado e Dézmantelado.
Diz o Professor:
- Bem, dez vezes dez, dá cem.
- É isso professor... Cem vergonha, Cem títulos e Cem nada!!!


Mantorras é que sabe!...

terça-feira, 15 de abril de 2008

Outra Vez - por muitos nós

Você foi o maior dos meus casos
De todos os abraços o que eu nunca esqueci
Você foi dos amores que eu tive
O mais complicado e o mais simples pra mim.
Você foi o melhor dos meus erros
A mais estranha história que alguém já escreveu
E é por essas e outras que a minha saudade
Faz lembrar de tudo outra vez.
Você foi a mentira sincera
Brincadeira mais séria que me aconteceu
Você foi o caso mais antigo
O amor mais amigo que me apareceu
Das lembranças que eu trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim outra vez.
Esqueci de tentar te esquecer
Resolvi te querer por querer
Decidi te lembrar quantas vezes eu tenha vontade
Sem nada perder.
Você foi toda a felicidade
Você foi a maldade que só me fez bem
Você foi o melhor dos meus planos
E o pior dos enganos que eu pude fazer
Das lembranças que eu trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim
Outra vez.

Simone

Ali Babá...


Quando o Papa Paulo VI veio a Portugal, vivíamos em "ditadura", sendo o 1º ministro Salazar.
O Papa perguntou-lhe qual o motivo de ter tantos ministros, obtendo a seguinte resposta: "Santidade, Jesus tinha 12 apóstolos, eu tenho 12 ministros."

Em 2008, quando o Papa Bento XVI visitar Portugal e perguntar ao 1º ministro para quê 40 ministros e secretários de estado, este, certamente, responderá:
"Bem, Santidade... Ali Babá tinha 40..."

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Pensamento


"Nenhuma viagem é perigosa,
para quem fica na costa a dizer adeus..."

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Pensamento do dia...


"Optimismo é esperar pelo melhor.
Confiança é saber lidar com o pior.”
Roberto Simonse

sábado, 29 de março de 2008

Receita do ano



Como se faz um(a) deputado(a):

- 1 dose de falta de carácter

- 1 dose de ganância

- 1 dose de mentira

- Euros qb

- 1 pitada de m*rda


Obs.: Não exagerar na m*rda, ou sai uma Ministra da Educação !

quinta-feira, 27 de março de 2008

Jornada de Luta sobre Educação


O Bloco de Esquerda promove nesta sexta-feira uma jornada de luta sobre educação, com as distribuição de mais de 100 mil exemplares de um jornal gratuito. O Bloco acusa o governo de "enxovalhar os professores" em vez de se concentrar no combate ao abandono escolar. Precariedade, saúde, pobreza e ambiente são outros dos temas abordados pelo Bloco, que considera que o Governo "falhou no essencial". No jornal de campanha, o Bloco de Esquerda considera que a manifestação do dia 8 de Março "foi uma verdadeira moção de censura às políticas do governo, numa das áreas em que o país não se pode dar ao luxo de mais mais atrasos e falhanços". E acrescenta que "em vez de perseguir os professores, insistindo numa avaliação burocrática, incompetente e injusta, o governo devia responder aos problemas das escolas", nomeadamente, a falta de instalações como cantinas e ginásios, o facto de centenas de crianças terem aulas em barracões, e a existência de turmas com mais de 30 alunos nos subúrbios de Lisboa e do Porto. O Bloco propõe medidas de emergência para combater o abandono e o insucesso escolar, defendendo um programa para acompanhar os estudantes sem aproveitamento e em risco de abandonar a escola e para apoiar as escolas em zonas desfavorecidas.